Ser Mãe é possível sim.

A portadora de Lúpus pode ter filhos? Em quais situações que sim e em quais que não?

   Sim. O índice de fertilidade e esterilidade em mulheres com LES é semelhante ao observado em grupos sem a doença. Hoje em dia, 50% de todas as gestações em mulheres lúpicas são completamente normais, enquanto 25% podem ter bebês prematuros. A perda do feto, devido a abortos espontâneos, ou a morte do bebê podem ocorrer em 15 a 25% dos casos. Entretanto, existem situações que podem dificultar a gravidez, como por exemplo: períodos prolongados de atividade da doença podem levar a irregularidade menstrual ou mesmo amenorréia (suspensão do ciclo menstrual por mais de 3 meses); pacientes tomando ciclofosfamida podem desenvolver falência ovariana prematura.

Ainda hoje é recomendado à portadora com Lúpus em atividade a realizar aborto?

      Não, a paciente em atividade deve ter um seguimento médico mais freqüente e receber o tratamento necessário para o controle da doença. A atividade da doença ou exacerbações tende a ser suave na maioria dos casos. Os sintomas mais comuns são artrite, rahs e fadiga. Aproximadamente 30% das pacientes com Lúpus vão ter uma diminuição do número de plaquetas (plaquetopenia) no sangue durante a gravidez, enquanto 20% poderão ter perda de proteína (proteinúria) na urina. A nefrite lúpica quando presente antes da concepção também aumenta as chances de se ter uma exacerbação durante a gravidez. É importante distinguir os sintomas de atividade do Lúpus das mudanças normais do corpo que ocorrem durante a gravidez. Por exemplo: durante a gravidez os ligamentos e estruturas ao redor das articulações podem acumular líquido (chamado embebição gravídica), e causar inchaços; estes não representam inflamação. Outro exemplo: muitas mulheres podem apresentar maior nascimento de cabelo na gravidez, seguido de uma grande queda após o parto. Embora a queda de cabelos seja um sintoma da atividade do Lúpus, é mais um resultado das mudanças que ocorrem durante uma gravidez normal.

A gravidez numa portadora de Lúpus é considerada de alto risco?

   Sim, embora a maioria das gestações em pacientes lúpicas evoluam de forma normal, todas devem ser consideradas de “alto risco”; uma vez que a gravidez pode influenciar a evolução clínica da doença; por outro lado, no LES podem ocorrer com maior frequência, abortos expontâneos, prematuridade e bebês de baixo peso. Portanto, a gestante lúpica deve ser acompanhada de perto tanto pelo reumatologista como pelo obstetra, para que problemas possam ser prevenidos e intervenções rápidas sejam realizadas quando necessário.

A portadora de Lúpus grávida terá o nascimento de um bebê normal ou pre-maturo?

   Atualmente 50% de todas as gestações em mulheres lúpicas são completamente normais, enquanto até 25% podem ter bebês prematuros.

A portadora de Lúpus grávida terá o nascimento de um bebê com Lúpus?

    Pacientes com LES podem apresentar autoanticorpos, conhecidos como anti-Ro/SSA ou anti-La/SSb e raramente anti-U1 RNP, com capacidade de atravessar a placenta e potencialmente provocar algumas alterações no bebê conhecidas como Lúpus Neo-Natal. O Lúpus Neo-Natal não é igual ao Lúpus Eritematoso Sistêmico. O Lúpus Neo-Natal é uma síndrome rara, que ocorre em aproximadamente 3% das mulheres lúpicas com anti-Ro/SSA. Ele se manifesta com lesões cutâneas (RASH) passageiras, alterações na contagem de células sanguíneas e hapáticas também passageiras, e um tipo especial de anormalidade no batimento cardíaco (bloqueio cardíaco). Se a anormalidade nos batimentos cardíacos ocorrer, o que é raro, ela é permanente; mas tem tratamento. As manifestações não cardíacas são transitórias tendendo a desaparecer em aproximadamente 6 meses, quando desaparecem os anticorpos maternos da circulação do bebê. Mesmo bebês com a anormalidade nos batimentos cardíacos crescem normalmente. Se uma mãe teve um filho com Lúpus Neo-Natal, há cerca de 25 % de chances de ter outra criança com o mesmo problema.

Como deverá ser efetuado o acompanhamento da gravidez de uma portadora de Lúpus?

    Visitas frequentes ao médico são importantes em qualquer gravidez de alto risco, isso porquê muitos problemas podem ser prevenidos, ou tratados mais facilmente, se observados no início. Como em toda gravidez regras básicas são essenciais: comer bem e com intervalos regulares, tomar os medicamentos conforme a prescrição, não fumar, não beber. Fazer exercícios leves conforme orientação.

O Lúpus pode provocar dano à placenta?

    Sim, a ocorrência de comprometimento fetal induzido pelo LES pode estar intimamente ligado às alterações placentárias. Estas parecem ser mais frequentes a partir da 25a semana de gestação, quando pode ser observado retardo de crescimento do bebê, redução dos movimentos do bebê, diminuição do líquido amniótico e da placenta. Na histopatologia (estudo do tecido placentário) pode ser observada trombose, oclusão de vasos placentários e proliferação endotelial.

O parto de uma grávida com Lúpus pode ser normal ou tem que ser cesariana?

    A mãe lúpica pode tentar o parto normal, desde que mãe e bebê estejam bem e controlados clinicamente; no entanto, não deve ser uma preocupação excessiva, pois diante de qualquer problema a cesariana pode garantir a saúde da mãe e do filho. Quando possível procurar um hospital que disponha de uma unidade especializada no tratamento de recém-nascidos pre-maturos.

O Lúpus pode entrar em crise quando uma portadora de Lúpus está grávida?

     Sim, a gravidez pode exacerbar o curso clínico do Lúpus em até 30 a 35% das pacientes. Quando ocorre a crise, ou seja, o Lúpus entra em atividade, esta tende a acontecer durante o primeiro ou segundo trimestre da gravidez, ou durante os dois meses imediatamente após o parto (puerpério). Nas pacientes em fase de inatividade da doença, a gravidez poderá não modificar o prognóstico ou mesmo o curso evolutivo do LES.

Qual o melhor momento para uma portadora de Lúpus ficar grávida?

    Durante os períodos de remissão da doença, estudos mostram que quando a gravidez ocorre em períodos de 6 a 12 meses da doença fora de atividade a evolução é bem melhor.

O que é toxemia da gravidez?

    A toxemia gravídica ou doença hipertensiva específica da gravidez compreende um conjunto de problemas que só acontece durante a gravidez, depois da 20ª semana. Ela engloba desde casos leves de hipertensão arterial e o inchaço no início da gestação até os quadro de pré-eclampsia, eclampsia e síndrome HELLP. A paciente que com pré-eclampsia desenvolve pressão alta e passa a eliminar proteína na urina. O inchaço pode iniciar nas pernas e chegar a atingir o corpo inteiro. A eclampsia é uma complicação da pré-eclampsia combinada com ataques epiléticos ou coma. Pode afetar até 20% das pacientes com Lúpus. Essa é uma situação séria requerendo tratamento imediato e, geralmente, um parto pre-maturo.

Há risco de aborto espontâneo?

     Sim, a perda fetal espontânea ocorre aproximadamente ente 15 a 25% das gestações em pacientes lúpicas.

A portadora de Lúpus pode ingerir medicamentos durante a gravidez?

    Como em toda gravidez deve-se evitar a ingestão de medicamentos sem orientação médica. De forma geral, medicamentos necessários a manutenção do tratamento do Lúpus não devem ser retirados.

As medicações podem afetar o bebê?

    É seguro usar a maioria dos medicamentos normalmente ingeridos por pacientes com LES durante a gravidez. Prednisona, Prednisolona e, provavelmente, methylprednisolona não atravessam a placenta e são seguros para o bebê. Estudos sugerem que azathioprina (Imuran) e hidroxicloriquina (Plaquinol) ajudam a controlar a doença e não afetam os bebês, mas isso ainda não é confirmado. Ciclofosfamida é definitivamente nociva durante os três primeiros meses de gravidez.

Uma paciente de Lúpus que fez uso da medicação Talidomida pode ficar grávida? Por quê?

    Não, durante o uso de Talidomida na gravidez é totalmente contra-indicada. No caso da paciente já ter interrompido o uso da Talidomida, o intervalo entre a retirada da medicação e a tentativa de engravidar deve ser de no mínimo 6 meses. A Talidomida usada na gravidez pode ter efeitos teratogênicos, ou seja, predispor a mal formações (particularmente em extremidades).

Quais os problemas que a SAF pode trazer a gravidez de uma portadora de Lúpus?

    A Síndrome do anticorpo anti-fosfolípide (SAF) pode ser encontrada em cerca de 30% de pacientes com LES, é uma causa de trombofilia adquirida, quer dizer, tendência a eventos trombóticos. Como os anticorpos anti-fosfolípides provocam trombose placentária e vasculopatia (lesão dos vasos) da decídua não está completamente elucidado, mas podem ser causa de perda fetal. O maior risco de perda fetal está relacionado à presença de anticoagulantes lúpico, altos títulos de anticorpos anticardiolipina (aCL) da classe IgG, isoladamente ou associado a anticoagulante lúpico.

A portadora de Lúpus pode amamentar o seu bebê?

    A amamentação deve ser estimulada; no entanto é necessário avaliar com o médico as medicações que estão sendo usadas, pois estas podem se concentrar no leite materno e passar para o bebê. No caso do bebê pre-maturo, este pode não ter força ao sugar o peito materno, neste caso a retirada do leite com auxílio de uma bombinha pode ser utilizada para alimentar o bebê.

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